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América Latina: por que a democracia perdeu credibilidade

A crise institucional na Venezuela e na Nicarágua expõe as causas do descrédito democrático na região.

É possível acreditar na democracia sul-americana? Segunda parte.
É preciso insistir no tema.
Porque, infelizmente, hoje as pessoas leem pouco.
Em nota anterior mencionávamos as reviravoltas eleitorais no Peru e no Brasil e o crescente descrédito (basta ler as redes sociais) em um sistema que não atende às expectativas dos votantes, que são exatamente isso—votantes—pois deixaram de ser verdadeiros eleitores há muito tempo.
É preciso analisar o caso da Venezuela, onde nasceu o socialismo do século XXI, o chamado chavismo, que, atenção, ainda governa, de forma tutelada talvez, mas governa.
Nesse país, o Comandante Chávez não surgiu do nada, nem foi levado a Caracas porque o aeroporto de Paris estava com neblina, mas sim foi consequência do desastre e da corrupção dos dois partidos nos quais se baseava o sistema político, a Social Democracia e a Democracia Cristã, alternando-se no poder e transformando o governo, nas últimas etapas, em desgoverno.
Claro que Chávez e seu sucessor Maduro e companhia são responsáveis por terem deixado a Venezuela como está hoje, um país que nada em petróleo, mas seus antecessores estão livres de responsabilidade?

Evidentemente não.
Está mais do que comprovado que a geração espontânea não existe.
Este é um aspecto que jamais deve ser ignorado, pois analisar apenas os efeitos sem compreender as causas tem pouco ou nenhum valor.
Por isso a História como disciplina é tão importante, e por isso mesmo é frequentemente distorcida, sobretudo pela esquerda.
Há outro país infeliz que ninguém menciona, ninguém lembra, talvez por ser bastante pobre: a Nicarágua.

Lá, os sandinistas derrubaram Somoza prometendo liberdade, mas se tornaram uma ditadura.
E diga-se o que for, graças às manobras daquele grande presidente americano Ronald Reagan, que sabia muito bem quem era o inimigo, assim como ao carisma daquela grande mulher Violeta Chamorro, foi possível sair dessa situação… apenas para, algum tempo depois, os liberais, os intrigantes e os corruptos permitirem o retorno de Ortega, agora com sua esposa, ambos personagens repugnantes.
Também aqui não houve geração espontânea; houve entrega, e é isso que o povo nicaraguense paga hoje, em um dos países mais pobres da América Central, apesar das promessas de seu presidente abusador—não apenas no sentido jurídico.

Aqui também é preciso estudar História.
Acabemos com esses culebrones.

A democracia existe, ainda com seus erros humanos, em sociedades civilizadas como a Europa (Espanha… bem, mais ou menos), Japão, Canadá, etc.
Basta de farsas de mau gosto.
E no Uruguai?

Bem… veremos… mas faz muito tempo que deixamos de ser a Suíça da América.

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