Uruguayan citizen looking at an almost empty wallet in front of an imposing state building.

A Sensibilidade do Bolso e o Estado que Já Não Pode Esperar

Uma proposta frontal para vincular gasto público, eficiência estatal e tecnologia em um Uruguai diante dos limites materiais do próprio modelo.

A SENSIBILIDADE DO BOLSO
O lombo do trabalhador. A asfixia da ineficiência
Por Dr. Nelson Jorge Mosco Castellano

O bolso é o órgão mais sensível do corpo político.
No Uruguai, o debate intelectual é um esporte nacional que apreciamos muito, mas raramente move a agulha do poder.
A casta política e a burocracia corporativa só reagem quando são forçadas por uma realidade financeira que não podem ignorar ou por uma estrutura que lhes tira a chave do caixa.
A mudança inevitável deverá ser articulada sob um princípio de “Asfixia da Ineficiência”.
A proposta de reforma que não pede licença:
A Regra Fiscal de Ferro e a Redução Automática
Chega de tetos de gasto que se movem por vontade parlamentar ou violando impunemente a Constituição.
É imprescindível vincular o orçamento de funcionamento do Estado e das empresas públicas à produtividade real que o sistema político devolve ao país.
Se o país não crescer ou se a dívida ultrapassar um limite crítico, o orçamento da casta política e as verbas de “gastos de representação” e “assessorias” serão automaticamente reduzidos em 20%.
Termina o incentivo de gastar para comprar votos.
Se a economia sofre, a política sofre primeiro.
Desintermediação Tecnológica Total
O maior negócio daqueles que vivem dos demais é a intermediação: ser a ponte lenta e cara entre o recurso e o cidadão.
Não se pode adiar mais a implementação por lei da Identidade Digital Soberana e da automação de transferências e trâmites.
Cada peso economizado ao eliminar uma etapa burocrática ou um escritório inútil deve ser devolvido diretamente ao contribuinte por meio da redução do IVA, do imposto de renda ou do imposto sobre aposentadorias.
A estrutura clientelista é esvaziada de conteúdo.
Se o cidadão já não precisa do “político”, do “sindicalista” ou do burocrata para acessar um serviço ou um direito natural, eles perdem sua razão de existir e seu poder de pressão.
Responsabilidade Patrimonial do Administrador
Hoje, se um diretor de uma empresa pública, muitas vezes prêmio de consolação para o político que perdeu seu lugar no parlamento, administra mal e gera perdas milionárias, todos pagamos o custo com tarifas mais caras ou mais impostos.
Uma Lei de Responsabilidade Civil e Patrimonial para os altos cargos públicos estabelecerá que a má gestão por negligência ou uso político, prebendário ou corrupto dos fundos deverá ser ressarcida com o patrimônio pessoal dos responsáveis.
Acaba o “brincar com o dinheiro alheio”.
Quando o risco da má gestão se torna pessoal, o conservadorismo do status quo rapidamente se transforma em uma busca desesperada por eficiência.
A Inevitabilidade do Desastre se Nada For Feito
Se essa reforma que lhes tira o controle do dinheiro não for implementada, as consequências serão as de um organismo que devora seu anfitrião.
As tarifas públicas e a carga tributária continuarão subindo para manter uma burocracia que nada produz, ou pior, que gera perdas consentidas, até que não reste ninguém de quem cobrar.
O capital uruguaio e estrangeiro não esperará que o país desperte.
Simplesmente se moverá para onde a tecnologia garanta que seu esforço não será confiscado por uma “justiça social” mal compreendida.
O golpe no bolso da política é a única forma de fazer com que a “intenção conservadora” se renda à realidade.
É passar da retórica dos valores à mecânica dos incentivos.
A mudança positiva eternamente adiada agora é inevitável.
A Libertação Nacional: O Dividendo da Eficiência
O objetivo é que o cidadão sinta que a casta política lhe está “roubando” um estilo de vida básico que ele já deveria ter.
Falemos de “Retorno Cidadão”: cada escritório burocrático que fechar e cada processo que for automatizado se traduzirá em um depósito mensal em sua carteira digital ou em uma redução imediata na sua conta da UTE, ANTEL ou ANCAP.
Você é o dono dos seus dados.
O Estado deixará de pedir documentos que ele mesmo emite.
Recuperemos nosso tempo para que cada um o use com sua família, em seu comércio ou em seu descanso.
Assim se pode sustentar a ideia de um país “Soberano e Global”.
Queremos um país onde nossos netos não tenham que emigrar para serem bem-sucedidos.
Um Uruguai tecnologicamente avançado é o melhor seguro para a família uruguaia.
A Realidade Não Negocia
O teto da dívida e a demografia do modelo atual são física e socialmente insustentáveis.
Não é uma opinião política.
É aritmética.
Com menos trabalhadores e mais aposentados, o peso de uma burocracia ineficiente romperá o sistema.
Ou modernizamos o Estado por desenho, ou ele colapsará por desastre.
O mundo já mudou e o Uruguai está ficando como uma ilha de obsolescência.
O capital e o talento fluem para onde há transparência e agilidade.
Se continuarmos defendendo o carimbo, o prédio e a assinatura, acabaremos sendo o museu mais pobre da região.
A Tecnologia Vai Contornar a Má Política, Queiram Eles ou Não
A revolução digital é imparável.
Os cidadãos encontrarão formas de operar fora do sistema se ele continuar sendo caro e lento.
A política pode escolher entre liderar a transição ou ser varrida por ela.
Um Ato de Justiça Básica
Se o produtor rural arrisca seu campo, o empreendedor sua empresa e o comerciante seu local, por que o político não arrisca nada quando administra mal nosso dinheiro?
Auditoria Popular Permanente: Criaremos uma plataforma digital onde cada uruguaio poderá ver, em tempo real, quanto custa cada gasto estatal por minuto e qual é seu retorno social.
É vital advertir que qualquer tentativa de sabotagem por parte das corporações estatais, sejam greves, bloqueios ou mobilizações violentas, será a prova final de que não defendem o “povo”, mas seus próprios privilégios.
A sabotagem ao futuro é um ataque direto ao bem-estar dos mais pobres, que são os que mais dependem de que o Estado funcione bem em uma era tecnológica na qual todos devem ser sustentados até que surja a oportunidade de se reciclar.
Essa estratégia não busca convencer aqueles que vivem do sistema, mas tirar-lhes a máscara diante daqueles que o sustentam todos os dias com seu lombo.

Eficiência estatal e responsabilidade pública.
Tecnologia, intermediação e poder político.
Uruguai diante dos limites fiscais e demográficos.

Você pode continuar lendo em Ordem Global e Geopolítica.

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