Do Lado Errado da História – Parte 4


Valcorba, ou a condenação que a esquerda impõe a si mesma

Paradoxalmente, aqueles que discursam solenemente sobre a exploração do homem pelo homem foram os que criaram o sistema mais perfeito de exploração humana: o totalitarismo. E o exportaram com grande sucesso.

É um pacote de medidas que nunca falha.

Ele carrega o veneno perfeito do ódio ao bem sucedido, ao meritório, ao criativo, ao que multiplica recursos para toda a sociedade.

Promove toda forma de distorção contra a moral, a ética e a regra geral.

Consegue sabotar qualquer tentativa de fazer a economia crescer, gerar empregos e tirar pessoas da pobreza.

Se o programa da Frente Ampla fosse aplicado integralmente, produziria sem dúvida um totalitarismo estatal perfeito.

Leva a ironia do igualitarismo ao extremo da redistribuição total da riqueza no Uruguai.

Se fosse aplicado, entraríamos no cenário que o economista Martín Vallcorba definiu como financeiramente inviável.

Cria uma expectativa distante e irrealizável, sempre adiada para um futuro que nunca chega.

Nesse universo paralelo, o país viraria uma obra de arte conceitual onde a economia foi sacrificada no altar da igualdade absoluta que não existe em nenhum país socialista.

Sempre há filhos e enteados. Ou melhor, treinados. Gente capaz de saquear o futuro lentamente até a sociedade ser cozida em fogo baixo.

Wilde dizia que só quem é financeiramente independente pode se dar ao luxo de ter princípios.

Num Uruguai de redistribuição total, ao desaparecer a independência financeira individual, os princípios passam a ser propriedade do Estado.

A cartilha do racionamento se tornaria realidade cotidiana.

A inveja sumiria. A admiração também.

Ninguém quereria ser o melhor cirurgião se o Estado paga o mesmo ao que apenas observa o mato crescer.

O país viraria um grande clube social de uma classe oprimida onde todos vestem o mesmo, bebem o mesmo mate e ninguém se destaca.

Porque destacar seria um pecado contra a solidariedade imposta.

Vallcorba alerta que sem investimento os números não fecham.

E o capital, esse animal tímido, simplesmente fugiria para o Paraguai ou Miami antes que o primeiro fiscal batesse à porta.

O resultado seria uma bela estrutura de bem estar sem motor para ligá la.

Seria como ter ingresso para a ópera em um teatro onde os músicos venderam seus instrumentos.

O Estado deixaria de administrar para passar a curar vidas consideradas incapazes.

No fim não restaria riqueza para distribuir, apenas pobreza administrada.

O Uruguai seria o país mais igual do mundo com a igualdade dos passageiros de um navio afundando.

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