Small Uruguayan-flagged vessel navigating among the shadows of much larger ships in open waters

Relações Internacionais: os riscos da improvisação

Alguns acontecimentos recentes que impactaram a opinião pública uruguaia têm um elemento comum que nem sempre é abordado com a devida clareza.

A questão dos passaportes, a construção de dois navios da Armada Nacional em um estaleiro espanhol e a recente restrição ao visto de migrante para os Estados Unidos são episódios distintos, mas todos remetem à mesma dimensão.

As relações internacionais.

Não vale a pena detalhar cada caso nem suas idas e vindas administrativas ou políticas.

O ponto central é para onde se olha quando o problema ultrapassa as fronteiras nacionais.

Relações internacionais não são um detalhe nem um campo para improvisações.

São uma disciplina acadêmica, um curso universitário ministrado na Faculdade de Direito, e uma prática profissional que exige formação, experiência e critério.

No cenário internacional, a lógica da pequena escala não se aplica.

O Uruguai não é uma aldeia onde contatos pessoais ou soluções informais resolvem impasses complexos.

As decisões são avaliadas, interpretadas e lembradas, especialmente quando partem de um país pequeno que precisa cuidar de cada gesto.

Quem tem formação em relações internacionais está melhor preparado para assumir essas responsabilidades.

Não necessariamente no primeiro degrau da carreira diplomática, mas à medida que a experiência e as capacidades individuais se consolidam.

Dentro dessa lógica, entende-se a posição do senador Pedro Bordaberry, resistente a aprovar nomeações diplomáticas sem formação específica, admitindo exceções muito pontuais em destinos de confiança política.

O episódio dos passaportes logo no início do governo, esperando que Alemanha, França e Japão aceitassem rapidamente uma decisão unilateral.

O anúncio apressado da ruptura de um contrato com um estaleiro europeu por um problema inicialmente solucionável, sem sequer a presença da ministra da Defesa.

A posição uruguaia sobre a Venezuela, alinhada ao Brasil, mas sem o peso de “o país mais grande do mundo”.

Todos esses exemplos apontam para o mesmo risco.

A pressa fora das fronteiras expõe o próprio Estado uruguaio.

A diplomacia é vital para países pequenos, mas exige moderação, conhecimento e leitura realista do contexto internacional.

Não se improvisa, especialmente diante de superpotências que hoje discutem abertamente a incorporação de territórios como a Groenlândia, pertencente ao Reino da Dinamarca, aliado da OTAN.

Reconhecer as realidades, negociar o que desagrada e evitar gestos espetaculares faz parte do ofício diplomático.

Caso contrário, o país corre o risco de virar uma caricatura.

Uma versão involuntária do antigo filme O Rugido do Rato.

E isso é muito mais humilhante do que qualquer concessão silenciosa.

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