Aproximando-se do esvaziamento do esforço e da inteligência
O Exílio da Inteligência: Quando a Democracia se Torna Confiscatória
Em nossos países, onde supostamente desfrutamos de soberania popular, sofremos da síndrome do prisioneiro: quando alguém está preso e não faz nada. Ao não agir, entrega-se cada vez mais, e perde gradualmente o impulso de se rebelar contra uma situação injusta.
Estamos chegando a um nível de total desconsideração do cidadão, e não recorremos a nenhuma alternativa, convencidos de que essa degeneração do sistema democrático ainda é o menos pior entre todas as formas de governo existentes.
A classe média descobriu uma verdade amarga: não se é mais cidadão, é-se um ativo financeiro do Estado.
A retórica oficial sustenta que o absolutismo fiscal é inevitável, o preço da convivência. Mas para o profissional, o empreendedor, o trabalhador e o criador, esse preço deixou de ser contribuição para se tornar expropriação vital.
O Refém da Classe Média
A classe média vive em um estado de exploração administrativa.
É o único estrato socioeconômico que não é pobre o suficiente para receber assistência, nem influente o bastante para acessar isenções.
Está no pior dos mundos fiscais: toda tentativa de superar a mediocridade resulta em um grau maior de saque, e quando não tenta, é empurrada para baixo pela requisição permanente da formalidade.
Sobre seus ombros recai o peso de um sistema que:
Define valores fictícios. O Estado decide quanto vale sua casa ou seu carro, não segundo o mercado, mas para calcular quanto mais pode extrair de você.
Penaliza o sucesso. O esforço é tributado com uma progressividade que beira o punitivo. Cada hora adicional de trabalho se transforma, na prática, em uma doação forçada crescente a uma burocracia que se apropria desses recursos sem prestar contas.
Enquanto isso, o argumento hipócrita de que se deve algo a quem tem menos beneficia apenas o redistribuidor político, que retorna para extrair ainda mais.
Monopoliza serviços. Você paga impostos por segurança que não recebe, por saúde que atrasa e o maltrata, e por educação que impede a verdadeira ascensão.
Você acaba pagando novamente, no setor privado se puder, por tudo aquilo que já pagou, não recebeu ou recebeu de forma precária, sob a impunidade de um ladrão autorizado.
É o pedágio duplo da existência.
A Exportação de Talentos: A Fuga dos “Expropriados”
O fenômeno mais trágico desse absolutismo moderno não é apenas a perda de dinheiro, mas a exportação do futuro.
O talento, o esforço e a contribuição jovem durante a vida produtiva — esse “ouro cinzento” que não precisa de chaminés para gerar valor — compreendeu que a mobilidade ascendente é impossível quando o Estado impõe um teto de vidro de impostos e tarifas públicas destinados a reduzir a vida à sobrevivência.
“Eles não partem por falta de oportunidades, mas por falta de propriedade sobre a própria vida.”
Quando um programador, um engenheiro, um operário ou um artista decide emigrar para onde é respeitado e desfruta de maior liberdade econômica, não está fugindo de seus deveres cívicos.
Está fugindo de um engano sistêmico que utiliza a palavra “democracia” para camuflar uma estrutura sufocante de vassalagem burocrática, política e tecnológica.
Para esses jovens, a frase “assim é a democracia” soa como sarcasmo.
Eles sabem que uma democracia que apenas lhes permite votar, enquanto confisca 50% ou 60% dos frutos de seu talento e sacrifício — entre impostos diretos e indiretos, tarifas públicas infladas e serviços disfuncionais — deixou de ser uma sociedade de homens livres para se tornar uma propriedade político-burocrática onde os cidadãos são gado.
O Destino do “Estado Absolutista”
Ainda pior do que os monarcas franceses do século XVIII, cujas cabeças estavam em jogo, os governos atuais ignoram que o capital mais volátil não é o dinheiro no banco, mas a esperança.
Ao expropriar a capacidade de poupança e a propriedade privada sob o arbítrio burocrático, o Estado constrói sua própria ruína e, inevitavelmente, a de sua base explorada e exaurida.
Está garantindo o controle total de um território vazio de ambição, habitado apenas por aqueles que não podem fugir e por uma classe política que, em sua cegueira, ainda acredita que o poder de fixar valores é o poder de exterminar a riqueza.
