A classical marble statue split in half, one side intact and the other fragmented into geometric pieces, with a blurred industrial laboratory in the background.

IDEOLOGIA: CORRUPÇÃO E SAQUE DO ESTADO

O demolidor das ideologias e pai da mais perversa

Marx: Crítica à Ideologia e Falsa Consciência

Para compreender por que Marx foi tão crítico em relação à “ideologia”, é preciso primeiro retirar da palavra a carga moderna que ela adquiriu.

Hoje usamos “ideologia” como sinônimo de “sistema de ideias”. Para Marx, porém, ideologia era algo semelhante a uma miragem social: uma visão distorcida da realidade que serve para manter o status quo.

Sua posição fundamenta-se nos seguintes pilares.

Materialismo Histórico: Base e Superestrutura

Marx sustenta que a realidade não se constrói a partir das ideias (idealismo), mas a partir das condições materiais e econômicas.

A Base é a estrutura econômica: quem possui as fábricas, como se organiza o trabalho.

A Superestrutura são as leis, a religião, a filosofia e a política.

A “ideologia”, segundo Marx, habita a superestrutura. Sua função é justificar a base econômica.

“Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas o seu ser social que determina a sua consciência.”

Já nessa primeira concepção, Marx está destruindo a base da construção histórica do pensamento humano, negando que ele tenha sido aperfeiçoado ao longo do seu desenvolvimento.

Em última instância, para Marx, o pensamento anterior foi desnecessário e perverso.

A Ideologia como “Falsa Consciência”

Marx argumenta que a classe dominante controla não apenas os meios de produção material (fábricas), mas também os meios de produção mental (imprensa, educação, cultura).

“A ideologia faz com que os interesses da burguesia pareçam os interesses de toda a sociedade. Por exemplo, a ideia de que ‘a propriedade privada é um direito natural sagrado’ beneficia quem a possui, mas é ensinada ao trabalhador (que não possui nada) como uma verdade absoluta.”

Marx utiliza a metáfora de uma antiga câmera fotográfica em que a imagem é projetada invertida. A ideologia apresenta a realidade ao contrário: faz com que o que é histórico e artificial pareça “natural” e “eterno”.

Embora sistemas rígidos de ideias promovam uma visão de que tudo é visto através de um cristal autoinduzido, Marx generaliza ao afirmar que toda ideia modificada ao longo do tempo pelos avanços humanos e pela própria realidade é ideologia.

O Papel da Religião e da Filosofia

Para Marx, essas são as formas supremas de ideologia, porque oferecem consolos imaginários que desviam da luta real.

“O ópio do povo”: a religião é uma ideologia que promete justiça no “além”, adormecendo a necessidade de buscar justiça no “aqui e agora”.

Ele criticava os filósofos que se dedicavam a interpretar o mundo de diferentes formas, quando, segundo Marx, o que importa é transformá-lo.

No campo religioso, Marx entra no mundo da Fé para retirar do ser humano uma concepção que vai além do racional, sendo puramente espiritual e pessoal.

Na crítica à filosofia (amor ao conhecimento), Marx começa a desenhar seu totalitarismo mental e sua ideologia exclusiva, puramente marxista.

Num primeiro momento, Marx não estava contra ter ideias, mas contra a função enganosa das ideologias.

Depois de desconstruir a ideologia como forma estática e distorcida de ver a realidade, Marx a reconstrói e a legitima como uma ideologia totalitária: uma ferramenta de dominação.

Sua “nova” ideologia marxista remove o véu de tudo o que a sociedade construiu, tanto de bom quanto de ruim, e promove a ação revolucionária contra TUDO o “ordenamento atual”.

Com a lente de que tudo o que existe é ideologia de exploração, Marx avança numa ideologia que destrói tudo e numa utopia que conduz inexoravelmente ao totalitarismo, empiricamente comprovado como desumano.

O ser humano NÃO É PERFEITO, e nunca será. Pretender que todas as anomalias humanas possam ser corrigidas destruindo todo o pensamento anterior por considerá-lo ideológico é fabricar uma ideologia a partir dos próprios defeitos humanos e acreditar que o mesmo ser humano imperfeito pode redimir-se à força por meio de uma construção ideológica.

Marx afirmava que a ciência social só começa quando conseguimos rasgar o véu da ideologia; confundindo o pensamento humano e a realidade com um laboratório científico no qual ideias possam ser colocadas numa proveta e, com uma poção mágica, ter retirado seu conteúdo egoísta.

Para provar sua teoria cientificista, Marx acredita que tudo está legitimado na luta contra a ideologia (conceito sob o qual ele inclui tudo ao seu redor), mesmo quando o pensamento é simplesmente uma construção humana subjetiva, que percebe a realidade como através de um visor que a distorce.

Para lutar contra uma realidade de que não gosta, que não lhe convém ou que se opõe à sua intenção cientificista de perfeição, Marx toca o limite entre teoria e ética política.

Para ele, a luta contra a ideologia — o mundo politicamente imperfeito — não é um mero exercício intelectual de “tirar o véu”, mas uma necessidade científica histórica.

Dessa forma, ele transformou sua “ideologia” numa técnica amoral e desumana, violenta, destinada a corrigir as imperfeições que o impediam de viver como os burgueses que se esforçavam, trabalhavam e viviam melhor do que ele.

Não é uma luta contra “fantasmas”, mas contra suas causas

Marx não acredita que a ideologia seja destruída simplesmente discutindo ou escrevendo livros (embora tenha escrito muitos).

A raiz material: se a ideologia é reflexo das condições materiais, a única forma de eliminar a “distorção” é mudando a realidade que a produz. Para isso, TUDO É PERMITIDO.

“Não basta convencer as pessoas de que a religião é um consolo; é preciso criar um mundo em que as pessoas não precisem mais desse consolo, porque já não sofrem opressão.”

“A crítica da religião é, portanto, em germe, a crítica do vale de lágrimas do qual a religião é a auréola.” — Crítica da Filosofia do Direito de Hegel.

O germe de violência irracional de sua ideologia “científica”.

Para comentar, você precisa estar conectado. Se ainda não tem conta, crie uma em um minuto e você poderá comentar.
Criar contaEntrar

Deixe um comentário

Rolar para cima