Por que presidentes sem capacidade executiva estão falhando diante da complexidade tecnológica e geopolítica
O fim dos presidentes inservíveis
Neste novo ciclo histórico, as sociedades já não podem se dar ao luxo de lideranças ineficazes.
Resenha. A anatomia da inação
A política contemporânea enfrenta uma crise silenciosa. Não se trata de colapsos institucionais evidentes, mas de uma estética persistente do fracasso. Governos funcionam formalmente, mas são incapazes de produzir transformações reais.
Surge assim a figura do “presidente de vidro”. Um líder que busca agradar a todos e acaba não sendo visto por ninguém. A autoridade se dissolve em consensos intermináveis que servem apenas para adiar decisões.
A obsessão pelo consenso transforma-se em paralisia econômica e social. Nada se rompe, nada se reforma, nada se reconstrói. E justamente por isso, o futuro acaba sendo comprometido.
Esse fenômeno se agrava pela incapacidade das burocracias tradicionais de absorver o conhecimento técnico exigido pelo século XXI. Inteligência artificial, cibersegurança e poder tecnocrático escapam à compreensão dos modelos políticos clássicos.
Nesse contexto, a ascensão de lideranças disruptivas não é um desvio, mas uma resposta sistêmica ao esgotamento da inércia política.
Compreender por que governos que evitam rupturas acabam destruindo o futuro de seus cidadãos é fundamental para entender a política global contemporânea.
A paralisia dos gigantes. Geopolítica da imobilidade no novo ciclo histórico
O diagnóstico de Enrique Iglesias aponta para um dado central. Não vivemos uma época de mudanças, mas uma mudança de época.
Os 75 anos posteriores à Segunda Guerra Mundial foram excepcionais. Esse ciclo terminou. A ordem baseada na hegemonia americana entrou em colapso com a ascensão da China.
Hoje, a sobrevivência das nações depende da capacidade técnica de seus elencos dirigentes. Países que não dominam inteligência artificial, computação quântica e gestão estratégica tornam-se irrelevantes.
Estados Unidos e China já operam sob essa lógica. O conflito moderno busca paralisar o adversário, não destruí-lo.
Enquanto isso, muitos países permanecem liderados por presidentes incapazes de atuar nesse novo mundo. Apegados a rituais vazios, confundem estabilidade com estagnação e pagam o preço histórico dessa ilusão.
