Como a incompetência política e o endividamento permanente esvaziam o Parlamento e sufocam a economia produtiva
Quando a arrecadação tributária já não é suficiente, o Parlamento autoriza aumentos permanentes de endividamento ou emissão monetária, que funcionam como impostos diferidos ou ocultos, aprofundando danos de longo prazo sem qualquer análise séria de custo-benefício.
O que em outros tempos pode ter sido um mecanismo para superar crises tornou-se, na pós-modernidade, um tanque de oxigênio indispensável a um Executivo acometido por esclerose econômica aguda.
O mais grave do endividamento endêmico não é apenas sua existência, mas o fato de ser ignorado, conferindo aos abusos do Executivo, com cumplicidade legislativa, uma aparência de legalidade.
O Executivo afirma que o orçamento foi debatido e aprovado, que passou por controles técnicos e que está financiado, quando na prática esses controles foram silenciados pela disciplina partidária e pela conivência de uma suposta oposição.
No fim, o Parlamento renunciou à sua razão de ser.
Já não é um limite ao poder, mas o lubrificante que permite ao Executivo exercer poder absoluto sob o manto da lei.
Trata-se de uma estrutura que escolheu ignorar as consequências econômicas de seus atos para evitar o custo político da austeridade ou de reformas profundas do gasto público desordenado.
A decadência que nos oprime é contínua e irreversível.
O cenário se agrava quando presidentes e ministros são incompetentes e colocam a ideologia acima da responsabilidade de governar.
Estamos diante da confirmação de uma degradação sistêmica. Quando a estrutura institucional é defeituosa, a mediocridade dos gestores acelera o colapso.
Se o Parlamento abdica do controle e se limita a ecoar o Executivo, a qualidade dos ministros torna-se o último golpe contra a eficiência estatal e a correta alocação de recursos escassos.
Essa combinação gera paralisia funcional e dano ativo.
O ministro incompetente não apenas falha em resolver problemas, mas os multiplica por ineficiência e desordem.
Desconhecendo a gestão eficaz, cria estruturas redundantes.
Multiplica comissões, secretarias e cargos inúteis para mascarar sua incapacidade, elevando o gasto público sem retorno produtivo e abrindo espaço para a corrupção.
Sem formação técnica, torna-se refém da burocracia, de corporações ou de interesses privados que capturam o orçamento por meio de normas mal elaboradas.
Em um sistema saudável, o Parlamento deveria interpelar e remover ministros medíocres.
Na autocracia eletiva degenerada, porém, o blindagem política protege o incompetente para evitar expor o fracasso do governo.
Audiências parlamentares viram espetáculos midiáticos sem consequências técnicas ou jurídicas.
Diante da incompetência, a única resposta conhecida é extrair mais recursos.
Sem saber como gerar crescimento ou atrair investimentos, o Estado aumenta impostos, tarifas públicas e dívida para encobrir a má gestão.
O cidadão produtivo passa a sustentar um Estado cada vez mais exigente e cada vez menos eficiente.
A irreversibilidade decorre da entropia institucional.
O sistema perdeu a capacidade de autocorreção.
Os incentivos promovem o medíocre e ignoram o técnico.
O Parlamento carece de vontade e conhecimento para conter abusos, pois integra a mesma casta beneficiária da expansão do gasto.
O Estado entra em autofagia, consumindo o capital e a energia dos cidadãos para sustentar uma fachada de governabilidade predatória.
A decadência não é acidental, mas consequência lógica da falência da divisão de poderes.
O colapso virá pelo esgotamento da capacidade contributiva ou pela implosão interna da burocracia.
Forma-se a tempestade perfeita.
O Estado passa a produzir apenas ruído, até devorar a si próprio.
