O Discurso de Washington (1959). O Dia em Que Cuba Escolheu o Desenvolvimento em Vez da Ideologia.
Em abril de 1959, o mundo prendeu a respiração.
Um jovem Fidel Castro aterrissava em Washington, D.C.
Na nossa linha do tempo histórica, aquela viagem marcou o início de um rompimento irreversível.
Mas nesta realidade ucrônica, Castro deu um passo inesperado. Em vez de confrontação, apresentou um Plano de Reconstrução Institucional.
Diante da imprensa no National Press Club, Castro não falou de Marx, mas de Jefferson e Martí.
Declarou uma guerra total contra a corrupção e o suborno, prometendo que Cuba não seria satélite de ninguém, mas o parceiro mais transparente das Américas.
Ao expurgar o governo de figuras corruptas e comunistas radicais nos primeiros meses, o Castro ucrônico garantiu linhas massivas de crédito do Banco Mundial.
A Lei de Transparência Administrativa de 1960 desmantelou as máfias dos cassinos, transformando-as em corporações hoteleiras legítimas.
Havana não se fechou. Profissionalizou-se.
O resultado foi o surgimento de uma classe média profissional de médicos e engenheiros que, na nossa realidade conhecida, fugiram para Miami.
Aqui, tornaram-se o motor de uma nação que, em 1965, já superava o PIB per capita de vários estados do sul dos Estados Unidos.
A Pérola do Caribe e o Milagre Econômico.
Infraestrutura, Indústria e um Vale do Silício Tropical.
Sem o embargo que nunca existiu e com a segurança jurídica restaurada, os anos 60 foram para Cuba o que os anos 90 representaram para os tigres asiáticos.
A ilha transformou-se em um eixo logístico global.
O Porto de Mariel, em vez de ponto de partida de refugiados, tornou-se o porto de águas profundas mais importante das Américas, conectando o Canal do Panamá à costa leste dos EUA.
A Revolução Verde fez Cuba ir além do açúcar. Com tecnologia norte-americana, diversificou sua agricultura, tornando-se a despensa hidropônica do Caribe.
Educação e tecnologia prosperaram. Mantendo vínculos com universidades como MIT e Harvard, a Universidade de Havana fundou em 1972 o primeiro Polo Tecnológico das Antilhas, atraindo empresas emergentes de computação em busca de mão de obra bilíngue e altamente qualificada.
Uma Havana de arranha-céus modernos que respeitam o patrimônio colonial. Uma cidade cujo metrô foi inaugurado em 1978 e cujo padrão de vida tornou-se referência para toda a América Latina.
O Arquiteto do Espelhismo. Fidel Castro e a Estética do Poder.
Duas décadas após a retirada pacífica de Fidel Castro da vida pública, a historiografia contemporânea enfrenta uma pergunta que ainda incomoda os círculos acadêmicos de Havana e Washington.
Castro foi o salvador de Cuba ou o mais brilhante executor de um engano sistêmico.
Enquanto na linha do tempo soviética Castro tornou-se um pária internacional, nesta ucronia ergueu-se como o estadista mais influente do século XX.
Mas por trás da fachada de prosperidade e dos arranha-céus de vidro do Malecón esconde-se a narrativa de uma ambição que soube disfarçar o controle como ordem.
O Grande Giro de 1959. Limpeza ou Expurgo.
A história oficial afirma que, ao entrar em Havana, Castro não buscou confronto, mas purificação.
Sob o lema de uma Cuba livre de corruptos, iniciou julgamentos que, diferentemente dos fuzilamentos sumários de outros processos revolucionários, contaram com observadores internacionais e uma encenação processual impecável.
Castro compreendeu cedo que, para manter o poder absoluto, não precisava destruir as instituições, mas ocupá-las.
Limpou o aparato estatal dos quadros do período Batista e os substituiu por uma tecnocracia leal à sua pessoa.
Seu alinhamento com os Estados Unidos não foi submissão, mas uma jogada magistral de xadrez político.
Ao alinhar-se a Washington, eliminou a possibilidade de invasão e recebeu o maior fluxo de capital da história do Caribe.
O engano consistiu em convencer o mundo de que seu autoritarismo carismático era, na verdade, uma democracia dirigida necessária ao desenvolvimento.
A Loucura Sob a Luva de Veludo.
A vesânia de Castro não se manifestou em paranoia de bunkers ou escassez de racionamento.
Nesta versão utópica, sua vesânia foi a perfeição.
Fidel desejava uma Cuba que fosse vitrine mundial e, para isso, toda dissidência foi tratada não como opinião política, mas como patologia social ou traição à prosperidade.
Nos anos 70, enquanto grande parte da América Latina sangrava sob ditaduras arcaicas, a Cuba de Fidel exportava um modelo de estabilidade que era, na essência, uma gaiola dourada.
As prisões não estavam cheias de camponeses, mas de especuladores egoístas afetados por vazio moral em meio ao crescimento do PIB.
O sistema de inteligência cubano, financiado indiretamente pelo comércio com a Flórida, tornou-se o mais sofisticado do mundo, capaz de detectar a menor dissidência em relação à vocação ao trabalho.
Não era a bota militar de uma república bananeira, mas o bisturi preciso de um cirurgião operando sobre a alma da nação.
O Engano como Política de Estado.
O maior êxito de Castro foi fazer com que os Estados Unidos o vissem como interlocutor indispensável.
Durante a Guerra Fria, Cuba tornou-se mediadora-chave entre Norte e Sul.
Fidel encenava o líder do Terceiro Mundo nos fóruns da ONU, enquanto em privado jantava com presidentes norte-americanos em seu retiro de Cayo Piedra, negociando investimentos e tratados de biotecnologia.
Esse duplo jogo foi a expressão máxima do engano.
Em 1980, Cuba era uma potência médica e tecnológica, mas também uma sociedade onde a verdade e a liberdade existiam sobretudo como narrativa.
O controle dos meios não se dava por censura grosseira, mas pelo monopólio do discurso do sucesso.
Quem poderia reclamar quando havia pleno emprego e o melhor sistema de saúde do continente.
Assim se silenciava qualquer questionamento sobre a liberdade fundamental de mudar o governo.
Castro descobriu que a liberdade de expressão é um preço que muitos estão dispostos a pagar em troca de segurança integral e consumo suficiente.
O Ocaso de um Deus Terreno.
Quando Fidel Castro se retirou no início do século XXI, deixou uma nação invejada no mundo hispânico.
Documentos recentemente desclassificados sugerem, porém, que seu maior temor sempre foi que o véu do engano se rompesse.
Seus manuscritos privados revelam uma luta constante contra o que chamava de mediocridade da democracia real.
Fidel não foi um comunista fracassado. Foi um monarca moderno que compreendeu que, no século XX, o poder se sustenta pela gestão eficiente do capital e pelo trabalho produtivo das massas.
Seu legado é uma Cuba rica, habitada por uma geração que só agora começa a perguntar quem realmente é, livre da sombra do gigante que a protegeu e moldou com a mesma intensidade.
