Uruguayan citizen holding an almost empty wallet in an urban public setting.

O imposto invisível que esvazia o bolso uruguaio

O custo real dos monopólios, da burocracia e dos privilégios públicos nem sempre aparece nos impostos, mas pesa todos os dias sobre o cidadão.

O dinheiro que deveríamos ter no bolso
Quem controla o arrecadador?
Por Dr. Nelson Jorge Mosco Castellano

Além do que nos custam as veleidades aristocráticas de refundar palacianamente o que deveria ser o local de trabalho transitório de uma cabecinha delirante de poder, há outros abusos permanentes.
Quanto o cidadão deixaria de pagar se houvesse concorrência entre os serviços públicos monopolísticos, se o sindicalismo não fosse um feudo monopolizado pelo PCU, cúmplice de serviços públicos deficitários, se não houvesse serviços públicos inúteis que obrigam a pagar adicionalmente a privados em educação, saúde, segurança, bancos e limpeza do espaço público?
E, além disso, se não tivesse que subsidiar aquilo que não usa: o transporte, o gás, as regalias dos funcionários públicos; e os sobrecustos pelo descumprimento político dos prazos em que o Estado se obriga a pagar seus fornecedores, que depois são transferidos ao preço.
A quantificação exata desse dinheiro que deveria estar no bolso de cada pessoa é uma das maiores interrogações da economia política.
Embora não exista uma cifra única oficial, diversas análises de eficiência técnica e estudos de organismos internacionais permitem traçar um mapa do “custo da ineficiência” que recai sobre o contribuinte e o consumidor.
Não se trata apenas de “gastar menos” e racionalmente, de acordo com as prioridades de interesse público, mas de uma transferência massiva de recursos a partir do gasto político irresponsável e da defesa corporativa e burocrática que reduz a capacidade de consumo e investimento daquilo que as pessoas ganham legitimamente com seu trabalho.
Enfrentamos uma realidade incontornável que a retórica política oculta: o custo do nosso modelo de gestão pública não se esgota na folha de impostos que o cidadão paga todos os meses.
Existe um “imposto invisível”, muito mais voraz e regressivo, que surge da interseção entre monopólios estatais anquilosados, uma captura sindical sem precedentes e uma gestão fiscal que ignora as leis mais elementares da eficiência financeira.
O custo da não concorrência
Manter serviços públicos em regime de monopólio, sob o argumento hipócrita da “soberania”, é hoje o principal peso sobre o desenvolvimento.
Quando o cidadão não pode escolher, o incentivo para melhorar a produtividade desaparece.
O resultado é uma diferença de preços que todos pagamos.
Se os combustíveis, a energia e a logística convergissem para níveis regionais de concorrência, a economia direta para o setor produtivo e para as famílias superaria 600 milhões de dólares anuais.
Esse sobrecusto não é neutro: é uma transferência forçada de recursos dos setores mais dinâmicos da economia, e até dos mais depreciados, para estruturas burocráticas que se recusam à reforma.
O sequestro da gestão
A realidade institucional do Uruguai mostra uma anomalia profunda: o poder de veto de um sindicalismo monopolizado por uma única visão ideológica.
Distribuir se transformou numa obsessão doentia contra quem ainda consegue ganhar a vida, operando como justificativa para o abuso que os mesmos operadores inúteis constroem com vocação de morder.
Fabricam uma estrutura burocrática multiplicada ad nauseam, que devora cada peso que nos custa suportá-la, para justificar o aprofundamento da violação, já que o dinheiro que nos confiscam não alcança para as coisas mais imprescindíveis: a pobreza autoconstruída.
Essa estrutura não apenas impede ordenar os serviços públicos que operam sistematicamente no prejuízo, como também bloqueia qualquer tentativa de modernização tecnológica ou auditoria por resultados que exporia o roubo.
Uma sarcástica concorrência com os varejistas que vão presos, contra os atacadistas, impunes, que usam a delegação de representação como arma.
O cidadão acaba financiando, por meio da imposição de um gasto orçamentário impertinente, uma educação que não educa, uma segurança que não protege, uma limpeza municipal que não higieniza, e um sindicalismo que atenta contra o desempregado e o mais pobre ao frustrar oportunidades.
Diante da inoperância, quem tem os meios, quem pode, vê-se obrigado a contratar serviços privados.
É a dupla tributação de fato que pagamos ao Estado por decisão daqueles que deveriam nos defender do abuso, por um serviço que não se recebe, obrigando a pagar ao privado para obter a prestação real.
A ineficiência financeira como norma
A desordem se estende à gestão de pagamentos.
O adiamento dos pagamentos a fornecedores do Estado não é uma ferramenta de economia; é uma fonte de encarecimento.
O fornecedor, sabendo que o Estado é um pagador tardio, transfere o custo financeiro da espera para o preço final.
Esse sobrecusto, que gira entre 5% e 12% por fatura, é dinheiro drenado diretamente do bolso do contribuinte sem gerar um único grama de valor público.
A isso devemos somar o esquema de subsídios cruzados e regalias extrasalariais que converteram as empresas públicas em feudos de privilégio, longe de sua missão original de servir ao bem comum.
O benefício da liberdade
Se esse emaranhado de ineficiências fosse desmontado, o benefício total para a sociedade é estimado em uma faixa de 5% a 8% do PIB.
Não estamos falando de uma economia marginal; estamos falando de uma injeção de bem-estar entre 3,8 e 6 bilhões de dólares anuais que hoje se perdem na fricção de um motor estatal fundido.
A reforma não é uma opção técnica; é um imperativo ético.
Enquanto o sistema continuar blindado para proteger seus próprios privilégios, o crescimento continuará sendo uma promessa de gabinete e o alívio fiscal, uma quimera.
Cada vez que o Estado decide manter um monopólio ineficiente ou ceder à pressão de uma corporação sindical, não está defendendo “o público”; está assinando uma sentença de estagnação cuja conta mais alta é paga por aqueles que não têm como escapar: os mais pobres, a quem este sistema condena a pagar, com o suor de seu consumo diário encarecido, os luxos de uma burocracia que lhes deu as costas.

Monopólios estatais.
Privilégios burocráticos.
Custo oculto ao cidadão.

Você pode continuar lendo em Perspectiva Liberal.

Apoyá la continuidad de Perspectiva Liberal

Perspectiva Liberal es un espacio editorial independiente. Si valorás este trabajo y querés colaborar con su continuidad, podés hacerlo mediante un aporte voluntario a nuestra cuenta Prex.

Cuenta Prex: 13440

Para comentar, você precisa estar conectado. Se ainda não tem conta, crie uma em um minuto e você poderá comentar.
Criar contaEntrar

Deixe um comentário

Rolar para cima