Real photo of citizens walking on a Montevideo street with the Legislative Palace blurred in the background.

O Labirinto do Tecnocrata: A Falsa Promessa Fiscal que Encurrala a Esquerda Uruguaia

A interpelação parlamentar expõe o custo de um orçamento com números inflados e o paradoxo de uma oposição que precisa resgatar o ministro de seus próprios correligionários.

O Labirinto do Tecnocrata: A Falsa Promessa Fiscal que Encurrala a Esquerda Uruguaia

Não há espetáculo mais patético na política do que o de um tecnocrata encurralado tentando disfarçar de “erro de cálculo” o que sob todos os aspectos foi um estelionato eleitoral planejado.
A esquerda uruguaia, devolvida ao poder por uma carambola de anomalias que o tempo colocará em seu justo lugar de decadência, decidiu elevar a impostura à categoria de ciência econômica.
Agora, pegos entre o abismo da dívida real e o tsunami de mentiras que distribuíram alegremente na campanha, ensaiam uma defesa cínica: dizem-nos que um orçamento é apenas uma “estimativa sempre aperfeiçoável”, quando se previu um crescimento mentiroso sobre o qual já se gastou.
Que maneira elegante de confessar que mentiram na cara da cidadania para ganhar uma eleição.
O recente episódio parlamentar não foi uma interpelação comum. Tradicionalmente, estas instâncias buscam expor os erros de um secretário de Estado para exigir sua censura.
Desta vez assistimos a um paradoxo tragicômico: a oposição teve que chamar o ministro da Economia não para derrubá-lo, mas para lhe oferecer uma boia de salvação de sensatez; uma oportunidade para que, de uma vez por todas, confessasse o estado ruinoso das finanças públicas após ter desenhado um orçamento com a leveza de quem desenha números em um guardanapo.
Portanto, as “loucas paixões de gastar e gastar” de seus correligionários que o pressionam diante de um castigo estatístico da opinião pública, são impossíveis de atender.
A obscena leveza do voluntarismo
Tudo nasce de um pecado original e imperdoável.
Desenharam um cálculo de crescimento tão artificial, tão grosseiramente inflado, que só servia para um propósito: habilitar o Poder Executivo a gastar de maneira licenciosa e satisfazer os guichês de sua clientela política.
Prometeram mundos e fundos sabendo perfeitamente que os cofres não resistiam e não havia margem para aumentar a pressão fiscal.
E hoje, quando a música para, quando a matemática elementar exige o inevitável corte, o ministro se encontra de frente contra suas próprias hostes que lhe exigem cumprir o “programa”. Esses setores radicalizados, cegos diante de qualquer indício de realismo econômico, que não hesitam em mobilizar o aparato sindical para terminar de esvaziar uma caixa fiscal que já só contém teias de aranha.
O que ficou exposto no Parlamento é de uma gravidade institucional severa.
Dilapidou-se a oportunidade de governar com seriedade, postergando o investimento público estrutural —aquele que verdadeiramente permite ao setor produtivo competir e fazer crescer toda a economia—.
Mais uma vez, a prodigalidade estatista afunda o próprio Estado, deixando-o incapaz de gerar recursos genuínos.
Prometeram com a certeza impune de que, se as coisas saíssem mal, o relato sempre encontraria um eufemismo técnico para se justificar.
O plano deles sempre foi o mesmo: esquilmar um pouco mais os únicos que sustentam la economia, os que produzem e trabalham em liberdade, enquanto eles lavam as mãos argumentando que as projeções falharam por “fatores exógenos”.
Entre o abismo e o relato incumprível
O ministro habita hoje seu próprio labirinto, puxado por uma esquerda desvairada que parece disposta a dinamitar o grau de investimento com tal de não pagar o custo político de sua própria frustração.
Perder essa confiança internacional significaria ficar ao relento, sem os quase 7.000 milhões de dólares anuais que os mercados nos emprestam sob o pressuposto de que somos um país sério, não uma república bananeira que gasta o que não tem.
Diante deste panorama, a conclusão do hierarca foi tão triste quanto covarde: encolher o Estado é impossível; deixaria ao relento uma quantidade de compatriotas.
Diz isso quem se postula como o protetor artificial dos mais débeis, mas que nos fatos atua como o guardião de uma engrenagem devoradora de recursos.
Em qualquer país com lógica e decoro parlamentar, semelhante confissão de parte teria merecido uma moção de censura fulminante.
Falamos de um dos poucos técnicos em um governo de diletantes, que preferiu o conforto do cargo e seguiu a corrente de uma campanha irresponsável que repetiu até o cansaço que os recursos estavam lá e que não havia que aumentar impostos.
Essa ficção durou o que um suspiro.
Apenas assumido a nova equipe econômica, Gabriel Oddone teve que sair a desmentir o roteiro de campanha, enviando seu subsecretário a explicar à interna da Frente Ampla a verdade mais amarga: o projeto da esquerda, tal como se vendeu nos comitês, é simplesmente incumprível.
Não era “aperfeiçoável”, ministro; era uma flagrante falsidade.
A armadilha da verdade refém
A situação torna-se uma ironia trágica para a República. A oposição se vê obrigada a interpelar o ministro para forçá-lo a dizer a verdade, para que admita que o rei está nu.
Mas, ao mesmo tempo, la oposição não pode censurá-lo. O remédio seria infinitamente pior que a doença: removê-lo implicaria abrir a porta a um dogmático radical, a um emissor de palavras de ordem pré-fabricadas que não duvide em sustentar que o político-eleitoral está acima das leis da gravidade e da própria realidade.
O ministro segue preso em seu labirinto de números falsos e promessas quebradas.
Seu álibi da “estimativa aperfeiçoável” é o monumento ao cinismo de uma gestão que prefere ajustar a realidade aos seus dogmas antes que admitir que governa à base de mentiras.
De NÃO VOU AUMENTAR IMPOSTOS a, uma caminhonete mal adquirida; de um orçamento falseado, a permite-se gastar o que não se vai deixar criar.

Orçamento e gastos.
O paradoxo parlamentar.
O grau de investimento.

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