Citizens paying taxes while government bureaucracy continues operating.

O Custo Oculto de um Estado Ineficiente

A apresentação do CERES reacende o debate sobre como a ineficiência do gasto público e o endividamento acabam recaindo sobre todos os contribuintes uruguaios.

O Custo Cidadão
O Estado: uma máquina de perder dinheiro e fabricar pobreza
Por Dr. Nelson Jorge Mosco Castellano

Enquanto a maioria das pessoas tenta, com maior ou menor sucesso, fazer com que sua renda supere suas despesas na economia real, o Estado uruguaio parece ter adotado uma filosofia de vida bem diferente: a de um viciado em loteria que, depois de perder todo o salário no cassino, insiste que o problema foi não ter apostado o suficiente.
Na última terça-feira, Ignacio Munyo e a equipe do CERES colocaram o país diante do espelho com uma apresentação que se pareceu mais com uma autópsia do que com um relatório econômico.
A conclusão é tão evidente quanto desanimadora: o Estado uruguaio tornou-se uma estrutura tão fragmentada, tão ineficiente e tão disposta a perder dinheiro nos lugares mais absurdos que afirmar que “falta orçamento” é, simplesmente, um desrespeito à inteligência do contribuinte.
A arte de desperdiçar 550 milhões de dólares e depois tomar esse dinheiro emprestado
O CERES confirmou aquilo que qualquer liberal com bom senso já suspeitava: cerca de 550 milhões de dólares desaparecem todos os anos em um verdadeiro buraco negro de ineficiência.
E sabem o que é mais impressionante?
O Estado não perde esse dinheiro por acidente, mas por uma insistência permanente em fazer as coisas da pior maneira possível.
Continua produzindo cimento por meio do Portland estatal, competindo com o setor privado com toda a elegância de um elefante dentro de uma loja de porcelanas, enquanto paga por dragagens que nunca se concretizam e distribui subsídios em uma estrutura tão sobreposta que, às vezes, nem os próprios órgãos públicos parecem saber por que existem.
O “projeto social” da Colonização: pobreza, chimarrão e nenhum retorno
E o que dizer do Instituto Nacional de Colonização?
A apresentação de Munyo mostrou como o Estado continua despejando recursos em terras que, sob sua administração, acabam se transformando em verdadeiros cemitérios de produtividade.
A visão estatal alcança níveis quase poéticos de ineficiência: em vez de incentivar empresas agrícolas competitivas, prefere financiar pequenos produtores condenados à estagnação, onde a atividade mais visível parece ser colonos tomando chimarrão diante de suas casas enquanto as oportunidades de desenvolvimento escapam lentamente.
É a utopia do pequeno produtor permanentemente subsidiado: um modelo concebido para impedir o crescimento, desestimular a inovação e, acima de tudo, preservar a dependência em relação ao Estado, tornando impossível qualquer relação racional entre gasto e investimento.
É, em última análise, a institucionalização da pobreza sob o nobre rótulo da “justiça social”.
A falácia do orçamento como mera “estimativa”
Todo esse descontrole encontra justificativa na ideia moderna de que o orçamento seria apenas uma “estimativa”.
Uma expressão elegante para dizer que, se houver erro, o contribuinte pagará a diferença.
É a velha armadilha da dívida pública.
Quem administra os recursos do Estado age como se não existissem limites reais. Promete benefícios para conquistar votos e, depois, passa a gastar o dinheiro dos outros, acumulando endividamento sem interrupção.
Quando as despesas explodem por absoluta incapacidade de estabelecer prioridades, a solução nunca é fechar aquilo que deixou de fazer sentido — como o Portland estatal, as terras mal administradas da Colonização ou a infinidade de repartições que duplicam funções —, mas sim contrair ainda mais dívida.
Afinal, quem pagará essa conta ainda nem vota: serão as próximas gerações. Enquanto isso, “gasto social” continua sendo uma expressão extremamente eficiente durante as campanhas eleitorais.
A Revolução Agêntica como única saída
Se o Uruguai pretende deixar de viver da inércia e do endividamento externo, a solução é evidente: o Estado precisa abandonar aquilo que demonstra não saber fazer.
O problema é que conter a voracidade do sistema político depende justamente dos próprios políticos.
Por que aceitariam a realidade apresentada pelos números ou a necessidade de priorizar aquilo que realmente importa?
A proposta do CERES representa apenas um ponto de partida.
Enquanto o setor público insistir em agir como um empresário medíocre, tentando administrar desde portos até fábricas de cimento e propriedades rurais, o país continuará preso à mesma mediocridade institucional.
O cidadão uruguaio paga impostos comparáveis aos de países muito mais desenvolvidos, mas recebe serviços públicos que raramente alcançam esse mesmo padrão.
Se o Estado deixasse de desperdiçar esses 550 milhões de dólares em atividades que jamais deveria ter assumido, talvez — apenas talvez — fosse possível começar a discutir uma redução efetiva da carga tributária e um crescimento econômico consistente.
Mas, para isso, alguém precisará ter coragem de apagar as luzes dos ministérios que perderam sua razão de existir e deixar de subsidiar propriedades improdutivas que perpetuam a estagnação no campo.
O diagnóstico já está sobre a mesa.
A verdadeira pergunta é se o Uruguai terá coragem para deixar de subsidiar a ineficiência ou se continuará preferindo esse confortável autoengano enquanto a dívida pública faz silenciosamente o trabalho mais pesado.
P.S. Um aviso tanto ao governo quanto à oposição: vivemos uma época em que tudo permanece registrado no YouTube, e agentes de inteligência artificial já são capazes de medir aquilo que muitos preferem não enfrentar: o verdadeiro custo imposto aos cidadãos.

Ineficiência do Estado
Gasto público
Custo do cidadão

Continue lendo em Economia e Poder.

Apoyá la continuidad de Perspectiva Liberal

Perspectiva Liberal es un espacio editorial independiente. Si valorás este trabajo y querés colaborar con su continuidad, podés hacerlo mediante un aporte voluntario a nuestra cuenta Prex.

Cuenta Prex: 13440

Para comentar, você precisa estar conectado. Se ainda não tem conta, crie uma em um minuto e você poderá comentar.
Criar contaEntrar

Deixe um comentário

Rolar para cima