No left turn traffic sign in an urban civic setting with young people in the background.

A esquerda perde o monopólio da rebeldia

Os jovens não parecem migrar por doutrina, mas por cansaço diante da insegurança, da precariedade e de uma esquerda que já não representa o futuro.

Quando a esquerda perde o monopólio da rebeldia
Por Guillermo Silva Grucci

Lendo e aprendendo com o artigo de nosso diretor, o jurista e cientista político Dr. Nelson J. Mosco Castellano, “Quando a direita começa a parecer rebelde”, permitimo-nos fazer as seguintes considerações.
Durante muito tempo, criou-se a ilusão de que a esquerda era inerente à juventude.
Essa percepção, que chegou a ser inculcada ao ponto de reflexo condicionado, é uma criação da própria esquerda.
Não é por acaso que se trabalha desde a escola para formar mentalidades marxistas.
Os fundamentos não importam muito. Reduzem-se a slogans e palavras de ordem, repetidos como papagaios.
No nível secundário, isso se aprofunda um pouco mais, aproveitando a rebeldia natural dos jovens.
E a graduação ocorre nas universidades. Assim se produz aquilo que autores como Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa definiram como “o perfeito idiota latino-americano”, admirador de Fidel Castro e Ernesto Guevara.
Essa tendência parece estar mudando.
No Uruguai, pesquisas recentes indicam que “entre os jovens de 18 a 29 anos, a identificação ideológica de esquerda e direita aparece hoje quase equilibrada. Segundo dados recolhidos pelo [jornal] El País, em 2000, 37% dos jovens uruguaios se identificavam com a esquerda e 27% com a direita. Enquanto em 2025, a relação aparece invertida: 29% à direita e 26% à esquerda”.
Mas é preciso levar em conta um aspecto muito importante: essa virada não está ocorrendo por convicção ideológica, mas porque “a esquerda está perdendo o monopólio simbólico do futuro”, observa Mosco.
E está perdendo porque, onde se implanta, fracassa inexoravelmente.
O pior é que a esquerda não se resigna à derrota eleitoral. Na realidade, as eleições só lhe servem quando ela vence.
Tomemos o caso da Bolívia, onde Evo Morales está promovendo um levante armado contra o governo democrático recentemente eleito.
Ou o do candidato comunista Sánchez, que no Peru não reconhece a derrota nas urnas.
E também o do presidente Petro, que fala em fraude porque sabe que a saída do governo de esquerda na Colômbia é iminente.
Assim, na Argentina assumiu Milei; na Costa Rica, Laura Fernández Delgado; em El Salvador, Bukele; no Chile, Kast; no Equador, Daniel Noboa; no Panamá, José Raúl Mulino; no Paraguai, Santiago Peña; e em Honduras, Nasry Asfura.
E agora, o Peru será presidido pela mestre em Administração de Empresas Keiko Fujimori.
Se não se trata de uma mutação ideológica, a que se deve essa inclinação dos jovens por opções de direita?
Eles estão cansados de “discursos sobre direitos e inclusão, chegaram à vida adulta com aluguéis impossíveis, empregos precários, salários insuficientes, burocracias absurdas e um Estado que promete proteger, mas muitas vezes complica a vida”, diz Mosco.
E sim, muitos precisam continuar vivendo com os pais porque a moradia é inacessível.
A insegurança é mais do que uma “sensação térmica”, expressão que a ex-ministra do Interior Daisy Tourné costumava usar durante sua passagem por essa pasta no Uruguai de 2008.
Oito anos depois, o então ministro do Interior Eduardo Bonomi encarregou-se de transformar as palavras de Tourné em “o relato do medo”.
Em 2026, a maioria da população tem a percepção de que a insegurança se transformou no grande problema. Basta ver as notícias todos os dias. E a Argentina não é a exceção; o que surge como um raio de sol na tempestade é o El Salvador de Bukele. Segundo a consultoria Equipos Consultores, em 19 de março de 2026, 41% dos eleitores da Frente Ampla e 52% dos eleitores da Coalizão Republicana simpatizavam com a gestão de Bukele.
Nos países europeus, observa-se, além disso, a imigração descontrolada, que muitas vezes produz um choque cultural e gera um motivo sério de preocupação.
À rejeição das elites, aquilo que o presidente Milei chama de “a casta”, soma-se a frustração econômica.
E não se deve esquecer que a atual concepção hedonista e materialista da vida, promovida por uma intensa publicidade comercial que incentiva o consumismo, também opera como fator de tantalização.
Recordemos Tântalo, castigado pelos deuses, mergulhado em um lago até o pescoço sem poder beber, e com uma deliciosa árvore frutífera sobre sua cabeça sem poder comer por toda a eternidade.
E a agenda woke adotada pela esquerda, embora não exclusivamente por ela, é a cereja do bolo.
Embora “não porque todos a rejeitem, mas porque muitos percebem que a política cultural substituiu a política real”, assinala Mosco com acerto.
Essa tendência evasiva de substituir a realidade pela ideologia torna-se mais evidente quando a derrocada do socialismo se torna inevitável, não porque a gestão se afaste de seus modelos, mas precisamente por isso, porque seu DNA carrega o germe do fracasso.
Assim, fala-se de uma “agenda de direitos” que, cada vez mais, é percebida como uma distração para desviar a atenção dos problemas da vida cotidiana.
Em suma, a direita parece rebelde em contraste com uma esquerda depreciada.
O desafio está em não frustrar essa expectativa, que não pertence apenas a uma faixa etária, mas à sociedade como um todo. Que os governos saibam levar isso em conta.

Juventude e rebeldia.
Esgotamento socialista.
A direita como expectativa.

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