Sistemas autônomos expõem a ineficiência estrutural da governança tradicional
A REVOLUÇÃO AGÊNTICA
A IGNORÂNCIA DE DISCUTIR ANTIGAS INEPTIDÕES
Por Dr. Nelson Jorge Mosco Castellano
Assistimos, quase impiamente, há várias décadas, à condenação reiterada do sistema político como inepto, inútil, inconsistente, difuso e até corrupto.
Sem perceber que a tecnologia já nos fornece há muito tempo ferramentas para diagnosticar o problema real:
É IMPOSSÍVEL QUE UM SISTEMA INSTITUCIONAL SEJA EFICAZ E EFICIENTE SE ESTIVER DIVIDIDO EM PARCELAS DE PODER QUE O TORNAM ANÔMICO.
Ninguém produzirá resultados satisfatórios utilizando as mesmas ferramentas, não importa quanto continuemos jogando este jogo perverso de alternância entre direita, esquerda e centro.
Graças à tecnologia, hoje existem sistemas de interação pública para controle e avaliação que superam em qualidade de resultados qualquer ação política voltada a resolver problemas sociais antigos e ampliados.
A Revolução Agêntica é o termo que define a transição atual de uma Inteligência Artificial que apenas responde perguntas (como os chatbots tradicionais) para uma que executa ações de forma autônoma.
Se a IA generativa foi o primeiro passo, a IA agêntica representa o salto para sistemas capazes de raciocinar, planejar e completar tarefas complexas sem supervisão humana constante.
Vejamos os pilares deste conceito, especialmente relevantes sob a ótica da eficiência e da governança:
O que é um Agente de IA?
Diferentemente de um modelo de linguagem que “escreve sobre uma tarefa”, um agente “realiza a tarefa”. Ele possui capacidade de:
Autonomia: Toma decisões com base em objetivos predefinidos.
Uso de Ferramentas: Pode acessar bases de dados, assinar documentos digitais, realizar pagamentos ou coordenar com outros agentes.
Planejamento: Decompõe um problema complexo (ex.: “organizar uma exportação”) em etapas lógicas e as executa sequencialmente.
Impacto nas Políticas, na Burocracia e no Estado
Esta revolução é a peça que faltava para o que se denomina Governança Digital ou “Estado como Plataforma”:
Redução de Intermediários: Os agentes podem gerir trâmites administrativos, validações de identidade e assinaturas digitais de forma instantânea, eliminando a burocracia e a discricionariedade do funcionário.
Transparência: Ao operar por meio de protocolos (como Blockchain), cada ação do agente fica registrada, reduzindo as margens de corrupção em obras públicas ou gestão de recursos.
Soberania Individual: Permite que o cidadão tenha seus próprios “agentes pessoais” para interagir com o Estado, equilibrando assimetrias de poder e tempo.
Desafios Éticos e o “Humanismo Tecnológico”
Apesar de sua eficiência, a Revolução Agêntica levanta questões profundas:
Responsabilidade Jurídica: Quem é responsável se um agente autônomo cometer um erro legal ou financeiro?
Atrofia Cognitiva: Existe o risco de que, ao delegar a tomada de decisões aos agentes, o ser humano perca a capacidade crítica e o discernimento que as Artes Liberais sempre defenderam como essenciais.
O Mercado de Trabalho: Afeta não apenas tarefas repetitivas, mas também profissões analíticas (como Direito ou Economia), obrigando a uma redefinição do que significa o “valor humano” no trabalho.
A Relação com o Capital e a Liberdade
Sob uma perspectiva liberal clássica, esta revolução pode ser vista como o maior redutor de custos de transação da história.
Ao automatizar a confiança e a execução, o capital pode fluir com menos fricções estatais, aproximando-nos de uma sociedade mais dinâmica e menos dependente de estruturas institucionais pesadas e obsoletas.
Mas vejamos como a Revolução Agêntica atua na execução de planos de erradicação da pobreza infantil, controle do narcotráfico, sistema prisional, segurança pública e geração de emprego.
