Sinais iniciais de pressão deram lugar à incerteza, mantendo o futuro do regime venezuelano preso a cálculos geopolíticos.
¡Processos políticos exigem coerência entre início e desfecho.
No início de janeiro, parte da América do Sul interpretou certos movimentos como o começo de uma possível mudança estrutural na Venezuela.
Entretanto, os fatos posteriores indicam que o núcleo do regime permanece praticamente intacto.
Figuras centrais continuam exercendo influência, presos políticos seguem detidos e a chamada “anistia” anunciada depende das mesmas autoridades responsáveis pelas prisões.
Isso não caracteriza uma transição institucional plena.
A pergunta estratégica é clara. Por que o processo não avança?
Nem a Rússia, envolvida na guerra na Ucrânia, nem a China, concentrada em sua reorganização interna de poder, demonstraram disposição inequívoca para intervir de forma decisiva.
O espaço geopolítico para uma redefinição existe.
A questão central é se Washington busca uma mudança estrutural ou apenas uma acomodação energética e diplomática.
A imprevisibilidade pode ser ferramenta política. Mas a ambiguidade prolongada tende a corroer a credibilidade internacional.
Se um processo foi iniciado, deixá-lo incompleto pode gerar custos estratégicos superiores aos de sua conclusão.
