Uma reflexão sobre o poder militar norte-americano, a seletividade das intervenções e a influência dos lobbies nas decisões estratégicas.
– Percepção do poder americano
– Seletividade estratégica e interesses internos
– Influência dos lobbies e realidade política
Em artigo anterior, a intenção era demonstrar que a Rússia se apresenta cada vez mais como um tigre de papel, apesar dos equívocos históricos sobre o equilíbrio de poder global. Mas não se pode esquecer os Ivans.
Os Estados Unidos, evidentemente, não são um tigre de papel. Possuem um poder militar excepcionalmente robusto e sofisticado, agora acompanhado de vontade política, elemento essencial na projeção estratégica.
No entanto, todos fazem concessões. Pessoas fazem. Estados fazem. E os Estados Unidos, apesar de sua condição singular, continuam sendo um país submetido a pressões internas e interesses organizados.
A partir de uma Ibero-América que parece despertar lentamente de seu desvario ideológico, surge uma pergunta simples.
Por que confrontar ou apoiar o enfrentamento da ditadura teocrática iraniana e não agir com a mesma intensidade diante da ditadura marxista-leninista de Cuba, existente há mais tempo?
Mistério? Não.
Falta de petróleo? Também não.
Ausência de ameaça estratégica como em 1962? Equívoco.
A explicação encontra-se na dinâmica interna do poder. Nos Estados Unidos existem lobbies, e alguns são mais fortes que outros, em termos numéricos e financeiros.
O lobby de Miami não possui o mesmo peso estrutural daqueles vinculados ao núcleo financeiro que influencia instituições como o Federal Reserve, frequentemente percebido como exclusivamente nacional.
Nem mesmo presidentes carismáticos estão livres dessas condicionantes políticas.
Não se trata de hostilidade contra qualquer país, mas de expor a realidade política como ela funciona, além das narrativas simplificadoras.
