O Direito Internacional Público realmente existe?

Uma reflexão sobre os limites do direito entre Estados soberanos em um mundo sem autoridade coercitiva global.

– A natureza jurídica do direito e o problema da coerção

– Como o direito funciona entre Estados soberanos

– Os limites estruturais do Direito Internacional Público

O Direito Internacional Público realmente existe?

Essa é uma pergunta importante.

Os conflitos que hoje marcam a política internacional fizeram surgir inúmeros debates sobre a validade e a eficácia do Direito Internacional Público.

Antes de continuar, é necessário esclarecer que esta reflexão não pretende diminuir o trabalho dos estudiosos do tema. No Uruguai, por exemplo, destacou-se Eduardo Jiménez de Aréchaga, que integrou a Corte Internacional de Justiça em Haia.

Ainda assim, a questão merece ser examinada com franqueza.

Segundo a Real Academia Espanhola, o direito é um conjunto de princípios e normas cuja observância pode ser imposta de maneira coercitiva.

Isso nos leva ao conceito de coerção.

Coerção significa o uso da força para obrigar alguém a agir contra sua vontade.

Coercibilidade é a possibilidade de aplicar essa força.

O Direito Internacional Público, em geral, carece de ambos.

Algumas exceções históricas podem ser mencionadas, como os julgamentos de Nuremberg e de Tóquio após a Segunda Guerra Mundial. Mas essas exceções confirmam a regra geral.

Tribunais internacionais existem. Um exemplo foi o caso levado pela Argentina contra o Uruguai na Corte de Haia pelo conflito da fábrica de celulose em Fray Bentos.

Mas isso só ocorreu porque ambos os países aceitaram voluntariamente a jurisdição do tribunal.

Ou seja, o sistema funciona apenas quando os Estados desejam que funcione.

No extremo oposto está a guerra entre Irã e Iraque, que durou cerca de oito anos.

Onde estava o Direito Internacional Público naquele momento?

O problema não é o direito em si, mas uma limitação estrutural.

Nos sistemas jurídicos nacionais, um juiz pode ordenar uma decisão e o Estado possui meios para executá-la.

No plano internacional não existe uma autoridade equivalente.

As forças de paz da ONU, conhecidas como Capacetes Azuis, geralmente atuam apenas depois que a paz já foi negociada.

Assim, a resposta à pergunta inicial parece simples.

Não.

Se isso mudará algum dia é impossível afirmar.

Mas, por enquanto, pode-se dizer que isso não existe e tampouco parece estar no horizonte.

Para aprofundar outras reflexões sobre geopolítica e a evolução da ordem internacional, explore a seção completa de análises em Ordem Global e Geopolítica.

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